Infância, de Graciliano Ramos
Sobre o livro:
Obra autobiográfica em que o autor consegue, de forma magistral, relatar momentos significativos de sua infância: as primeiras letras, os medos infantis, impressões sobre o mundo, pequenas travessuras, dramas familiares etc.
De fácil leitura, a todo o momento temos a nítida impressão de estarmos dentro da cabecinha de uma criança, vivenciando com ela todas as suas experiências, sentimentos e emoções.
Ótima oportunidade para quem já esqueceu das “dores e das delícias” de ser criança.
Aí estão algumas passagens do livro:
Onde estava o cinturão? Impossível responder (…) tão apavorado me achava. Situações deste gênero constituíram as maiores torturas da minha infância, e as conseqüências delas me acompanharam.
O homem não me perguntava se eu tinha guardado a miserável correia: ordenava que a entregasse imediatamente. Os seus gritos me entravam na cabeça (…).
Onde estava o cinturão? Hoje não posso ouvir uma pessoa falar alto. O coração bate-me forte, desanima, como se fosse parar, a voz emperra, a vista escurece, uma cólera doida agita coisas adormecidas cá dentro.
Onde estava o cinturão? A pergunta repisada ficou-me na lembrança: parece que foi pregada a martelo (…).
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Mandavam-me rabiscar algumas linhas pela manhã. Logo no início desse terrível dever, o pior de todos, surgiu uma novidade que me levou a desconfiar da instrução de Alagoas: no interior de Pernambuco havia 1899 depois dos nomes da terra e do mês; escrevíamos agora 1900, e isto me embrulhou o espírito. Faltou-me a explicação necessária (…). Com certeza não foi essa reflexão que me endureceu a munheca e povoou de borrões o traseiro, mas pode ter tido influência (…).
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Meu pai não tinha vocação para o ensino, mas quis meter-me o alfabeto na cabeça. Resisti, ele teimou – e o resultado foi um desastre. Cedo revelou impaciência e assustou-me. (…)
Enfim consegui familiarizar-me com as letras quase todas. Aí me exibiram outras vinte e cinco, diferentes das primeiras e com os mesmos nomes delas (…). Veio o terceiro alfabeto, veio o quarto, e a confusão estabeleceu-se, um horror de qüiproquós. Quatro sinais com uma só denominação. Se me habituassem às maiúsculas, deixando as minúsculas para mais tarde, talvez não me embrutecesse.
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Sobre o autor:
Graciliano Ramos de Oliveira (Quebrangulo, 27 de outubro de 1892 — Rio de Janeiro, 2o de março de 1953) foi um romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX ,autor de Vidas Secas.
Leia mais em: http://www.vidaslusofonas.pt/graciliano_ramos.htm
Outras obras do autor:
- Caetés (1933) (ganhador do premio Brasil de literatura);
- São Bernardo (1934);
- Angústia (1936);
- Vidas Secas (1938);
- A Terra dos Meninos Pelados (1939);
- Brandão Entre o Mar e o Amor (1942);
- Histórias de Alexandre (1944);
- Infância (1945);
- Histórias Incompletas (1946);
- Insônia (1947);
- Memórias do Cárcere, póstuma (1953);
- Viagem, póstuma (1954);
- Linhas Tortas, póstuma (1962);
- Viventes das Alagoas, póstuma (1962);
- Alexandre e outros Heróis, póstuma (1962);
- Cartas, póstuma (1980);
- O Estribo de Prata, póstuma (1984);
- Cartas à Heloísa, póstuma (1992);
- Um Cinturão (2000).









[...] Quer ver a postagem completa acesse:Quando eu tinha 8 anos. [...]
Por: Teia - Quando eu tinha 8 anos… em 4 de fevereiro de 2010
às 10:49 PM
olá.
Seu blog caiu na TEIA.
Parabéns.
Até mais.
Por: Teia em 4 de fevereiro de 2010
às 10:51 PM
Muito bom o livro do Graciliano!
Parabéns
http://6boyslife.blogspot.com/
vai lá
Por: Afonso Mendes em 15 de fevereiro de 2010
às 10:07 PM
Parabéns, otima dica
Por: Leandro Elias em 21 de fevereiro de 2010
às 6:55 PM
Olá amiga do CEDERJ! Também sou blogueira e adorei seu espaço. Voltarei sempre
Por: Jenny Horta em 16 de abril de 2010
às 6:11 AM
Ola Jenny. Que felicidade receber sua visita. Que bom que gostou. Espero que volte sempre. Preciso atualizar meu blog, mas como você sabe, é época de provas no Cederj né? aí eu acabo dando uma negligenciada por aqui. Em breve haverá novos posts. Apareça sempre viu?
P.S.: respondi ao seu comentário também na sala de tutoria de Literatura, lá na plataforma.
Abraços e bons estudos!
Por: quandoeutinha8anos em 17 de abril de 2010
às 6:49 PM