As sábias palavras de Paulo Freire ¹ fizeram-me lembrar da primeira vez em que refleti sobre como a linguagem e a comunicação vai além da escrita e da fala. Ler é muito mais que decifrar códigos. Uma prova incontestável disso é o fato de crianças muito pequenas conseguirem compreender mensagens, ou associar palavras a objetos ou a situações, quando ainda mal sabem falar.
Meu sobrinho Gabriel (hoje rapazinho) tinha não mais que um aninho de idade e mal sabia falar (quanto mais ler), mas sempre que passávamos, de carro, por certa avenida de São Paulo (onde morávamos então),ele ficava enlouquecido ao avistar o famoso M amarelo faíscante do McDonalds em um “outdoor”. Agitava as mãozinhas – os olhinhos brilhando – apontando para a placa convidativa e balbuciava “mec…lanche…sovet”.
Ele não precisava saber decifrar as palavras do anúncio para entender sobre o que se tratava. Ele simplesmente associava as imagens familiares da placa a um contexto também já conhecido. A mensagem atingia seu objetivo. E como. Se não parássemos no shopping mais próximo para comprar o tal lanche, o garoto não nos dava sossego.
E ninguém melhor do que o mercado publicitário consegue se apropriar de forma tão eficiente deste tipo de linguagem não é mesmo? e falando no assunto, me deu uma sedinha agora…acho que vou abrir uma:
O que é engaçado é que, à medida que crescemos, vamos deixando de lado essa capacidade de realizar leituras através da contextualização, isto é, através da busca de pistas que nos ajudam a compreender uma determinada mensagem. Será preguiça ou será que a escola e os pais têm uma parcela de culpa nessa história, quando privilegiam um método de leitura e escrita em detrimento de outros?
Seja em casa ou na escola, devemos criar um ambiente sempre propício à aprendizagem autônoma de nossas crianças. Precisamos oferecer a elas uma grande diversidade de material e estar sempre estimulando sua criatividade. E por que não nos dispor a aprender com elas? Podemos começar, reaprendendo a “ler” o mundo que nos rodeia, sem receio de fazer suposições descabidas, como no singelo poema aí em baixo.
¹Paulo Freire: quem foi?
Paulo Reglus Neves Freire (Recife, 19 de setembro de 1921 — São Paulo, 2 de maio de 1997) foi um educadore filósofo brasileiro. Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. Autor de “Pedagogia do Oprimido”, um método de alfabetização dialético, se diferenciou do “vanguardismo” dos intelectuais de esquerda tradicionais e sempre defendeu o diálogo com as pessoas simples, não só como método, mas como um modo de ser realmente democrático. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica. (Fonte: Wikipédia)
Até o próximo post!














Tema interessante, e até coincidiu com o meu blog!
Por: João Batista de Lacerda em 26 de maio de 2011
às 7:27 PM
Existe uma grande falha do ensino – seja em casa, seja em escola – do hábito da leitura. Esta diversidade que falta acaba limitando e, até, desmantelando o gosto por tal. Imagina então uma leitura mais aprofundada e/ou ampla… Falta!
Belo post!
PS.: Faz um tempo que estou martirizando-me por não ter continuado a Sess~~ao Livro do Mês”. Na próxima vou postar todos os atrasos…
;D
Por: KarlaHack em 26 de maio de 2011
às 7:58 PM
A leitura do mundo precede à das palavras”. (Paulo Freire) Sabiamente escolhido este post para partilhar e se fazer uma ótima reflexão sobre o assunto, gostei portanto indico!
Por: charlesnetto em 29 de julho de 2011
às 2:09 AM
Obrigada pela visita e pelo comentário Charles. Que bom poder colaborar para esse tipo de reflexão. Seja bem vindo e volte sempre que quiser. Abraços.
Por: quandoeutinha8anos em 29 de julho de 2011
às 2:25 AM