Publicado por: Amanda Paz | 20 de abril de 2012

O mito da caverna e o conhecimento que liberta

Por: Tônia Amanda Paz dos Santos (a autora permite cópia, desde que citada a fonte e/ou indicado o link para esta página)

O Mito da Caverna  é uma famosa alegoria filosófica que trata, em forma de diálogo, da dicotomia “realidade/aparência” – marcante na metafísica platônica. A metáfora criada pelo filósofo é parte constituinte do livro VI de “A República” (obra em que Platão nos leva a  refletir acerca dos princípios éticos, políticos, estéticos e jurídicos que seriam os pilares de  uma sociedade ideal). 

A dicotomia realidade/aparência – que também pode ser interpretada à luz de uma outra -senso comum/conhecimento filosófico –  vem sendo explorada, ao longo da história, por inúmeros autores, filósofos e estudiosos. Dentre as analogias mais modernas à alegoria de Platão, podemos citar o filme Matrix (Irmãos Wachowski, 1999) e as tirinhas de Maurício de Souza “As sombras da vida” (2002).

O senso comum é uma das formas de conhecimento primárias do ser humano. Através de nossas experiências e tradições,  buscamos elementos que expliquem a realidade. No entanto, é desejável que esta etapa seja superada, isto é, devemos buscar realizar a passagem gradativa do senso comum para um conhecimento mais racional, organizado e sistematizado, capaz de fornecer respostas cada vez mais elaboradas para os problemas cada vez mais complexos de nossa existência.

Quando nos acomodamos com as respostas prontas oferecidas pelo senso comum, alimentamos nossa ignorância e acabamos correndo o risco de sermos facilmente iludidos e de nos tornar vítimas daqueles que detêm o conhecimento e o utilizam como forma de submeter o outro. É o que acontece com as ideologias, que têm o poder de nos fazer aceitar mesmo falsas verdades que vão de encontro (contra) aos nossos próprios interesses.

Por outro lado, quando temos a coragem de “sair” da zona de conforto  representada pela caverna, com todas as suas sombras, isto é, com todas as percepções que fazemos da realidade, podemos nos sentir perplexos diante da constatação da nossa própria ignorância. Por isso, a busca pelo conhecimento é, antes de tudo, uma atitude corajosa, afinal, quantos já não foram julgados e condenados por aqueles que se negaram a sair de sua própria a caverna?

O desenvolvimento do pensamento crítico, proporcionado pela Filosofia, permite que adquiramos maior autonomia sobre as decisões e atitudes tão necessárias em nossa interação com o mundo em que vivemos. Torna-nos seres capazes de pensar por si próprios e não meros espectadores de um “programa de TV” que pode até ser bem produzido e cheio de efeitos especiais, mas que, no fundo, não passa de mera imitação da realidade, feita para iludir. 

Publicado por: Amanda Paz | 14 de setembro de 2011

Brincadeira de criança…Como é bom!

Por: Tônia Amanda Paz dos Santos (a autora permite cópia, desde que citada a fonte ou indicado um link para este blog)

A brincadeira sempre foi uma prática incentivada na maioria das sociedades contemporâneas.  Entretanto, o ato de brincar, durante muito tempo, esteve limitado aos momentos de lazer e de tempo livre das crianças. Hoje, estudos sobre o desenvolvimento humano vêm apontando que a brincadeira está ganhando cada vez mais espaço, não apenas no âmbito familiar, mas nos ambientes educacionais. O que antes estava limitado ao intervalo do recreio, hoje já pode ser verificado (mesmo que, às vezes, de forma equivocada) em sala de aula.

Através dos jogos dramáticos, por exemplo, muito comuns nas brincadeiras infantis, a criança explora o meio em que vive, experimentando e internalizando regras e papéis típicos da vida em sociedade. Além do que, ao brincar, elas acabam estimulando o desenvolvimento das funções psicológicas superiores, como atenção, memória, controle da conduta e  experimentando a interação entre os pares, a resolução de conflitos, abrindo caminho para a formação de um cidadão crítico e reflexivo.

A criança, ao brincar, coloca o mundo de cabeça para baixo, subverte papéis, cria e constrói. Segundo Benjamin (2002), ela faz construções sofisticadas da realidade e desenvolve seu potencial criativo, transforma a função dos objetos para atender seus desejos. Assim, um pedaço de madeira pode virar um cavalo; com areia, ela faz bolos, doces para sua festa de aniversário imaginária; e, ainda, cadeiras se transformam em trem, em que ela tem a função de conduto, imitando o adulto.

Pinturas da série "Brincadeiras de Criança", de Ivan Cruz

Eu me lembro perfeitamente de como o quintal da casa dos meus avós (para onde eu ia com meus irmãos todos os anos, durante as férias) parecia enorme quando eu era criança. Ali eu vivi as mais incríveis aventuras da minha infância. Os pés de goiaba, manga e graviola tornavam-se brinquedos de um grande parque-de-diversões. O carrinho-de-mão do meu avô virava táxi, trem, caminhão, avião, ônibus, carro de corrida – dependendo do dia e da vontade. A boneca era filha, aluna, amiga, inimiga e, até, eu mesma. O irmão virava motorista, piloto, bandido, polícia, cowboy. Folhas e flores viravam pratos sofisticados nas panelinhas de plástico. As galinhas no terreiro eram dinossauros perigosíssimos, dos quais tínhamos de fugir ou os quais tínhamos de caçar. As redes balançando “a todo vapor”  eram foguetes que nos levavam a planetas inimagináveis.

A imaginação e a capacidade de  improviso compensavam a falta de brinquedos. Éramos muitos filhos e o dinheiro não chegava para supérfluos. Mas, não me lembro de reclamarmos. Claro que enlouquecíamos com as propagandas na TV, mas tínhamos a rua, o clube, o campinho, os bosques, os riachos e igarapés, os pés de árvore, as cercas e quintais, as caixas de papelão, latas de goiabada e pedaços de madeira, que podiam ser transformados no que quiséssemos. Logo esquecíamos os imperativos comerciais.

pintura "Puxando Lata III", de Ivan Cruz

Pintura: "Represa e barquinho de papel", de Ivan Cruz

Quando cresci um pouquinho, os jogos de tabuleiro começaram a me atrair. No natal, a empresa em que meu pai trabalhava sempre distribuía ótimos brinquedos para os filhos dos seus funcionários. Era uma festa. O meu favorito era o Cara-a-Cara, da Estrela. Mas havia o Jogo da Vida, o Banco Imobiliário, o Imagem e Ação, Blefe de Mestre, Bolsa de Ações, Super Trunfo, Uno, Jogo da Operação, Detetive….Nos finais de semana, reuníamos os amigos e passávamos longas horas brincando com nossos jogos. Também brincávamos dos jogos tradicionais, é claro, como amarelinha, corda de pular, pipa, carrinho de rolimã, queimada, rouba-bandeira, peteca (a de penas e aquelas que, no sudeste, chamam de bolinhas de gude), elástico, slada mista,  e todas as versões da pira: pira-pega, pira-esconde, pira-trepa…

Pinturas da série “Brincadeiras de Criança”, de Ivan Cruz

Para mim, que tive uma infância tão rica e bem aproveitada, é triste imaginar que muitas crianças mundo afora são privadas do seu direito de brincar, estudar, de ter uma família que as ame e as proteja.  Mas, ainda mais difícil é compreender como, em alguns casos, pode partir das próprias crianças o desejo de correr com o tempo e entrar na adolescência tão precocemente. Será que a mídia tem tanta influência assim sobre elas hoje em dia? ou será que a vida moderna é que já não oferece tantos atrativos para essa idade?  

Infância perdida

Obs.: A maioria das imagens que ilustraram este post são de pinturas do artista plástico Ivan Cruz. Se você quiser conhecer mais sobre esse trabalho lindíssimo, acesse o site Brincadeiras de Criança (deixe o botão de som do seu micro ativado para ouvir a canção lindinha de abertura do site). Ou então, assista ao vídeo abaixo, diretamente do Youtube:

Publicado por: Amanda Paz | 9 de setembro de 2011

Bullying, um termo novo para um comportamento antigo

O bullying é um  fenômeno tão antigo quanto a escola. Há várias teorias sobre a origem do termo, que  deriva da palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Apesar de não haver uma expressão equivalente, em português, o bullying é uma das formas de violência que mais vem ganhando espaço nos notíciários brasileiros. O que tem levado especialistas, educadores, pais e a sociedade – como um todo – a observar com um pouco mais de atenção o comportamento de crianças e adolescentes, no mundo inteiro.

De forma bem sintética, podemos entender o bullying como uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas,  dirigidas, de forma repetitiva, por um ou mais alunos, contra um ou mais colegas. Apesar de não ocorrer apenas no ambiente escolar, é lá que se percebem os primeiros sinais de um praticante de bullying. Eu me pergunto o que leva uma pessoa  a atingir o colega com repetidas humilhações ou depreciações e por mais que eu tente encontrar uma resposta, não consigo.

Foi duro passar pela pré-adolescência e parte da adolescência sofrendo esse tipo de opressão. Eu não compreendia que aquilo estava errado. Achava que eu devia me conformar com aquele tipo de assédio. Afinal, eu era mesmo uma menina magricela e desengonçada. Não havia nenhuma mentira no que os “colegas” da escola e do bairro me diziam. Doía, é bem verdade. E para evitar aquela dor, eu tinha vontade de não sair mais de casa. E, se eu saía, não era por desejo de enfrentar aquela situação, mas sim por obediência aos meus pais, que não faziam ideia da tortura que era, para mim, subir no coletivo dia após dia, em meio às piadas e xingamentos. E enfrentar a gozação que continuava na sala de aula e nos corredores do colégio.

Por diversas vezes, inconscientemente, eu dava sinais de que as coisas não iam bem. Perdi as contas das vezes em que minha mãe teve de ir me buscar na porta da escola porque eu não conseguia atravessar os portões. Eu sentia enjôos, tremores e uma sensação desesperadora, que eu não conseguia explicar. Algumas vezes minha mãe cedia e me levava para casa. Mas, na maioria das vezes, de forma ríspida, forçava com que eu entrasse.

A tortura durou da 6ª série do antigo ginásio até o 2º ano do antigo segundo grau. E, hoje, lembrando daquela época, eu reparo no quanto aquilo foi decisivo para que eu me transformasse, da menina extrovertida e cheia de alegria que eu era até os meus 11 anos, em uma pessoa acabrunhada e introspectiva. Meus melhores amigos passaram a ser os livros e eu, aos poucos, fui tomando certa aversão às outras pessoas.

Aceitar fazer novos amigos, o que  nunca havia sido um problema para mim antes, passou a ser algo que eu evitava e, até, desprezava. Durante anos tentei me esconder. E como eu não podia deixar de realizar as atividades rotineiras, eu me escondia atrás das roupas que eu usava. Se eu via um grupo de pessoas na rua, desviava o caminho. Isolava-me. Até hoje eu não consigo entender como meus pais não percebiam tamanha mudança. Pelo contrário. Minha mãe só piorava os meus tormentos, com seu rigor e incompreensão.

Durante tanto tempo eu evitei encarar o espelho, que não percebi que havia crescido, que havia me transformado. A imagem de patinho feio estava gravada à ferro e fogo dentro de mim. Era assim que eu me via. Um dia, durante uma viagem de férias em que passei duas semanas na casa dos meus avós, aceitei ir à praia com minha irmã (que eu não via há mais de dez anos). Como era uma praia deserta, achei que não haveria problemas. Minha irmã me emprestou um biquíni e uma roupa adequada para o passeio, já que meu guarda-roupas se limitavam, basicamente a calças jeans e camisetas. Sair à rua vestindo aquelas roupas que mostravam tanto o meu corpo (que eu achava que odiava) foi um desafio que não pensei que fosse conseguir superar. Mas, consegui. E me diverti. E lembrei como era boa aquela sensação de fazer as coisas de que eu gostava.

De volta da viagem, eu decidi que precisava parar de me esconder e aproveitar mais a vida. Lembro-me perfeitamente do dia em que, pela primeira vez, depois de anos, entrei em uma loja e comprei um short bem curto (eu precisava me testar para valer). Na manhã seguinte eu deveria  prestar vestibular no centro da cidade. Decidi que seria a minha prova de fogo. Como eu não sabia se conseguiria passar por ela, não contei a ninguém o que faria. Vesti um macacão jeans e meus All Stars surrados, disse até logo a minha irmã mais velha (com que eu morava em São Paulo) e tomei o ônibus para o centro. Sentei-me no último banco. O ônibus estava vazio. No meio do percurso, tirei o macacão e o guardei na mochila. Por baixo dele eu vestia minha nova pele. Foi, de certa forma, a minha metamorfose. Desci no terminal da Barra Funda para uma nova vida. Livre das amarras e complexos do passado. Livre como minhas pernas de fora dos shorts de tactel que eu vestia agora. Naquele tarde, quem voltou para casa  foi uma pessoa nova em folha, mas que, de vez em quando, ainda precisa lutar contra o desejo inconsciente de evitar o contato com outras pessoas.

Hoje, aos 34 anos e me aceitando como eu sou. Abraços a todos os que leram até aqui.

“Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação. Porqe sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles”. (Bob Marley)

Publicado por: Amanda Paz | 9 de setembro de 2011

A leitura institucionalizada dos gibis e a leitura espontânea de outrora

Por: Tônia Amanda Paz dos Santos (a autora permite cópia, desde que citada a fonte e/ou indicado um link para este blog)

Gibis estimulam a turma a tomar gosto pela leitura. Esse gênero literário colorido, ilustrado e cheio de recursos gráficos incentiva os pequenos de pré-escola a criar o hábito de ler (…) As imagens aparecem associadas a textos coloquiais e permitem que a criança antecipe o enredo e atribua sentido à história, mesmo sem saber ler. Para Beatriz Gouveia, coordenadora do programa Além das Letras, do Instituto Avisa Lá, em São Paulo, as onomatopéias, como “ploft” e “grrr”, também são importantes para facilitar a compreesão de diversas situações e emoções.É o que diz uma reportagem publicada na  Nova Escola (Edição 208).

É curioso como as coisas mudam. Chega a ser engraçado. Quando eu era criança, levar gibi (que, na época, eu chamava era de revistinha) para a escola era coisa proibida. Não podia. Mas, a gente levava. Eu, pelo menos, levei. E como não? minha mãe, que também era professora, era dona de uma banca de revistas que ficava na frente da nossa casa. Imaginem, uma banca de revista em plena floresta amazônica…porque era onde eu morava. Em uma vila erguida praticamente em meio à floresta, em Carajás, no Sul do Pará. E, nessa época, os gibis me fascinavam e me atraíam demais.

E como dar conta de todos eles senão aproveitando qualquer circunstância ou lugar para mergulhar em todas aquelas aventuras deliciosas? eu lia em casa, lia na banca, lia no banheiro e em sala de aula. Sim. Eu fui uma inveterada infratora. Escondia os danados como podia. Debaixo da carteira ou enfiados em  um livro de História (cheio de histórias para boi dormir). E a possibilidade de ser pega em flagrante só aumentava a vontade de infringir a regra. Ai daquele que fosse pego. Além de ficar sem o gibi, corria sério risco de ser convidado a um tête-à-tête com a diretora e ainda levava para casa um bilhetinho de advertência para os pais assinarem. Eu nunca fui pega.

Os meus preferidos sempre foram os almanaques da Disney, especialmente os da série Natal Disney de Ouro e Pateta faz História. Mas havia também os da Bolota, Luluzinha, Recruta Zero, Pantera cor-de-rosa, A turma do Lambe-Lambe, O palhacinho Alegria, Ursinhos Carinhosos, Misty, Turma do Pererê, os da Marvel e os da Turma da Mônica, é claro. Havia também uma série de gibis da Moranguinho que eu adorava. Cada um desses gibis continha três histórias: uma da Turma da Moranguinho, é claro; uma do Fido – o cão falante; e uma do Asterói (um garoto astronauta, que possuía uma amiga robô, e estava sempre viajando por planetas malucos em busca de seus pais).

Gibis: Misty/ Recruta Zero/ Bolota/ A Pantera Cor-de-Rosa

Moranguinho (Fido e Asteroi)/ Os Ursinhos Carinhosos

Aventuras Marvel (Conan, o Bárbaro)/ Almanaque Disney/ Luluzinha

A turma do Lambe-Lambe (criação de Daniel Azulay)

Sonja, a Guerreira

Alegria (espécie de revista Recreio dos anos 80)

Eu não via a hora de os pacotes com as revistas chegarem lá em casa. Eu as guardava em um cantinho especial da minha estante. Junto com com meus amados livros de contos. Não fazia nenhuma distinção entre um e outro – Livros e Gibis. Continuei colecionando-os por muito tempo ainda. Mas, depois de tantas mudanças (uma hora estou aqui, outra ali), eles acabaram sendo extraviados. Outro dia, bateu uma saudade e eu comprei, no Mercado Livre, uma edição muito especial da Série Natal Disney de Ouro – a nº 7, que traz A lenda da Espada de Gelo (uma espécie de homenagem à história antológica de Tolkien “O Senhor dos Anéis”).

Natal Disney de Ouro (A Lenda da Espada de Gelo)

Será que  as crianças mudaram tanto que não têm mais interesse por coisas que não são criadas em pixels ou 3D ? eu acho que não. Afinal, elas têm uma capacidade incrível de aceitação. Eu acho que nós adultos é que,  na ânsia de querermos nossas crianças “antenadas” com as novas tecnologias,  nos squecemos de que não há nada de errado com as velhas e  boas coisas do passado. Acabamos deixando de oferecer a elas outras possibilidades. Deixamos isso a encargo da escola.

Assim, os gibis, os quadrinhos, as revistinhas – antes artigos não muito bem vistos nos ambientes escolares – ganharam status de ferramenta educacional. Mas, ao serem confinados nos acervos e gibitecas das salas de aula, ao serem transformados em leitura institucionalizada, perderam muito daquela capacidade de atrair as crianças como antes.

A leitura deve ser, antes, um ato de prazer. Nunca uma imposição.

Publicado por: Amanda Paz | 20 de julho de 2011

Um conto de presente: O sapateiro e os anões

Este conto, coletado pelos irmãos Grimm, na Alemanha, no início do século XIX, sempre esteve entre os meus favoritos, quando criança. E é uma ótima leitura para as crianças (e adultos) de hoje, quando tendemos a nos tornar cada vez mais individualistas, pois fala de solidariedade, de ajuda ao próximo e da importância de sermos humildes o suficiente para aceitar a mão que nos é estendida e sabedoria para agradecer a ajuda recebida. Boa leitura!

Crédito de imagem: Google Imagens

“Era uma vez um sapateiro que, embora não tivesse culpa, tornara-se tão pobre que finalmente só lhe restava couro suficiente para fazer um único par de sapatos. À noite ele cortou o couro para os sapatos que pretendia começar na manhã seguinte, e, de consciência tranqüila, deitou-se calmamente, rezou e adormeceu. De manhã, depois de rezar, quando ia se preparando para sentar e trabalhar encontrou o par de sapatos pronto em cima da mesa. Ficou espantado e não conseguiu entender o acontecido.

Apanhou os sapatos para examiná-los com mais atenção. As costuras estavam tão bem feitas que não havia um único ponto fora de lugar e os sapatos tão bem acabados que pareciam ter sido feitos por mãos experientes.

Pouco depois entrou um comprador, gostou muito dos sapatos e comprou-os por um preço acima do normal; com o dinheiro o sapateiro pôde comprar couro para mais dois pares de sapatos.

Cortou-os à noite e, na manhã seguinte, com a coragem renovada dispôs-se a trabalhar; mas não foi preciso porque quando se levantou encontrou os sapatos já prontos, e não faltaram compradores. Os dois pares lhe renderam tanto dinheiro que ele pôde comprar couro para mais quatro pares.

Bem cedo no dia seguinte o sapateiro encontrou os quatro pares prontos, e assim continuou a acontecer; o que ele cortava à noite encontrava pronto de manhã, e logo se viu novamente em uma situação confortável e se tornou um homem bem de vida.

Ora, aconteceu que uma noite, antes do Natal, ele cortou o couro para alguns sapatos como de costume e disse a sua mulher:

– Que acha de ficarmos acordados hoje à noite para ver quem é que está nos ajudando?

A mulher concordou, acendeu uma vela e eles se esconderam a um canto da oficina atrás de umas roupas penduradas.

À meia-noite, chegaram dois homenzinhos nus que se sentaram à mesa do sapateiro, apanharam o trabalho já cortado e com seus dedinhos se puseram a alinhavar, costurar e pregar tudo tão bem e ligeiro que o sapateiro não pôde acreditar no que via. Os homenzinhos não pararam até terminar os sapatos e deixá-los prontos em cima da mesa; depois saíram correndo.

No dia seguinte a mulher disse ao marido:

– Os anões nos fizeram ricos e devíamos demonstrar nossa gratidão. Estavam correndo por aí sem roupas e devem estar enregelados de frio. Vou costurar para eles camisas, casacos, coletes, ceroulas e até tricotar umas meias, e você vai fazer para cada anão um par de sapatos.

O marido concordou, e à noite, depois de aprontarem tudo, arrumaram os presentes em cima da mesa e se esconderam para ver como os anões iriam se comportar.

A meia-noite eles entraram aos saltos e iam começar a trabalhar, mas em lugar do couro cortado, encontraram as vistosas roupinhas.

A princípio ficaram surpresos, depois extremamente felizes. Com muita pressa eles vestiram e alisaram as belas roupas cantando:

– Agora somos rapazes belos e elegantes, para que fazermos sapatos para os outros?

Então pularam e dançaram e saltaram por cima de mesas e cadeiras, e saíram porta afora. Daquele dia em diante nunca mais apareceram, mas o sapateiro continuou bem de vida até morrer e sempre teve sorte em tudo que experimentou fazer.”

(Grimm, Jacob. Contos dos irmãos Grimm, org. Clarissa Pinkola Estés, Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 2005.)

Publicado por: Amanda Paz | 26 de abril de 2011

TV: vilã ou mocinha?

 

Não é incrível que, com a tecnologia sendo desenvolvida em uma velocidade tão rápida, esse aparelhinho criado na década de 20 ainda continue tão entranhado em nosso dia-a-dia, mesmo com uma programação cada dia mais volátil? Seria a TV uma invenção diabólica, que nos aliena e nos torna reféns de uma falsa realidade ou uma criação inspirada, que nos proporciona momentos mágicos e inesquecíveis? difícil dizer. Eu mesma mantenho uma relação de amor e ódio com esse aparelhinho.

O problema não é o aparelho em si, mas o que colocam nele e o modo com que consumimos essa programação, especialmente quando pensamos em nossas crianças. Alguns estudos dão conta de que a exposição abusiva de crianças à TV está diretamente relacionada a transtornos de conduta, como ausência de respeito às normas sociais estabelecidas e desinteresse quanto aos sentimentos alheios.  Além disso, a pessoa pode se expor mais às situações de perigo e diminuir o interesse em manter relacionamentos sociais. Foram verificados também maiores taxas de distúrbios do sono e de problemas emocionais relacionados à presença da TV nos quartos de dormir. A Academia Americana de Pediatria recomenda que a exposição diária à televisão (TV) seja inferior a uma ou duas horas, para as crianças com idade superior a 2 anos. Da mesma forma, sugere que o quarto de dormir não possua aparelho televisivo. (Fonte: PEDIATRICS 2007/Bibliomed).

No entanto, seguindo a orientação de especialistas e tendo a mediação dos pais ou de adultos responsáveis, a TV pode ter uma participação positiva  na vida da criança. Sempre lembrando da necessidade e importância de se oferecer várias alternativas de entretenimento aos pequenos, como brincadeiras com outras crianças, leitura, passeios, jogos, atividades artísticas, etc.

A seleção da programação é outro ponto que precisa ser muito bem escolhido pelos pais. Difícil. Em se tratando de TV aberta, as opções são escassas. Mesmo para os adultos.  E não me refiro apenas a programas educativos não. Não sei se estou sendo muito romântica, mas vocês conseguem sentir saudades do que estava no ar há dois anos, por exemplo (aliás, você se lembra do que esteve no ar no ano passado???). Pois eu sinto saudades da TV da minha infância. E olha que havia somente um canal para assistir e tantas aventuras lá fora dividindo espaço com ela. Mesmo assim, de vez em quando ela me pegava de jeito e, quando dava por mim, lá estava eu olhando fixamente para a tela.

Não éramos uma família de muitas posses. Havia apenas uma TV (de válvula e sem controle remoto) para cinco pessoas com interesses distintos. O que facilitava é que também não havia muitas opções de programação. Morávamos em uma vila erguida no meio da floresta, em Carajás, no sudeste do Pará. E lá, só havia um canal de televisão acessível. Somente cinco anos depois, quando nos mudamos para Manaus, é que eu soube que havia, de verdade, outras emissoras igualmente fantásticas (antes eu achava que era conversa fiada dos adultos). E quando eu descobri a TV Educativa e a TV Cultura, nossa, imaginei que o paraíso poderia ser ali.

Durante uns bons anos eu ainda consegui sentir atração pela programação de TV. Hoje, muito menos. São pouquíssimos os programas que conseguem despertar, em mim, as mesmas emoções dantes. Mas eles estão aí. A maioria deles ainda na Cultura. Tentei a TV paga, mas também não obtive sucesso. É quase tudo tão igual e previsível. Mas eis que surge o Youtube e a magia acontece: lá estão os programas fascinantes à minha disposição outra vez. E como eu não sou de ferro, vou cair na mesmice de listar aqui as maravilhas televisivas da minha infância perdida:

Anos 80:

Heidi

Heidi

Heidi é uma história sobre a vida de uma menina órfã da Suíça escrita como livro infantil em 1880 pela escritora suíça Johanna Spyri. Fez tanto sucesso, que virou desenho animado.

Snoopy e sua turma

Snoopy e sua turma

Charlie Brown e Snoopy: Desenho animado adaptado das tirinhas criadas por Charles Schulz. O contraste entre o cãozinho  sonhador Snoopy e a dura realidade enfrentada pelo seu dono Charlie Brown é o centro da filosofia e humor da série.

 

Daniel Azulay e a Turma do Lambe Lambe

Daniel Azulay e a Turma do Lambe Lambe:  Criada na década de 70, a Turma do Lambe Lambe esteve no ar durante 10 anos, primeiro na antiga TVE e depois na Rede Bandeirantes, sempre apresentada por Daniel Azulay, que mostrou o mundo do desenho e da arte para milhares de crianças em todo o Brasil. Na década de 80 virou gibi, pela editora Abril.

As aventuras do Pequeno Príncipe

As aventuras do Pequeno Príncipe

As aventuras do Pequeno Príncipe: Desenho animado adaptado do livro de A.Saint-Exupery.

A turma do Balão Mágico
A turma do Balão Mágico

A turma do Balão Mágico: Inicialmente era uma banda musical, que virou programa em 1983. Parou de ser exibido em 1986. 

 
Plunct, Plact, Zum
 
Pirlimpimpim
 
Arca de Noé
Arca de Noé
 
Especiais Musicais infantis da Rede Globo:  Arca de Noé I e II (198o e 1981); Pirlimpimpim (1982); Plunct, Plact Zum (1983)
 
 
 
Sítio do Pica-pau-amarelo
 
Sítio do Pica-Pau-Amarelo: Adaptado da obra de Monteiro Lobato, o programa foi produzido pela Rede Globo nos anos de 1977 até 1986. Mais tarde, em 2000, houve um remake do programa.
 

Desenhos Animados dos Anos 80
 
Caverna do Dragão
 
Dungeons & Dragons (Caverna do Dragão): série de animação  co-produzida pela Marvel Productions, TSR e Toei Animation. Baseada no RPG homônimo, possui 27 episódios e três temporadas, transmitidos originalmente entre os anos de 1983 e 1986 pela rede norte-americana de televisão CBS. Foi transmitida no Brasil pela Rede Globo nos anos 80 e ocasionalmente é ainda exibida pela emissora.
 
Jem Cast e As Hologramas/ A turma da pesada
 
Jem Cast e As Hologramas: A série é de 1985 e teve iniciativa da MTV norte-americana juntamente com a idéia de Robert W. Pittman. Passou no Brasil na programação matutina do SBT
A turma da pesada: Estreou no Brasil em 1988, na Rede Globo.
 
 Heróis dos Anos 80
 
Heróis da época: Os superamigos (são de 73, mas o desenho era exibido na década de 80 também); She-ra e seu irmão He-man; Thundercats.
 
 
Clássicos dos Anos 80
Clássicos dos Anos 8o
 
Filmes Infantis que se tornaram clássicos: Os Caça-Fantasmas (1984); O menino que falava com fantasmas (1971, mas passava na Sessão da Tarde); Os Goonies (1985); Conta comigo (1986); De volta para o futuro (1985); O Pequeno Príncipe (1974, também na Sessão da Tarde); A caravana da Coragem (1984); A fantástica fábrica de chocolate (1971, na Sessão da Tarde).
 
 
Clássicos do Terror, Anos 80
 
Clássicos do Terror: Era o que havia de mais horripilante, na época. Poltergeist (1982); Hellraiser (1987); O exorcista (1973, pela Sessão da Tarde); Show de Horrores (Creepshow,1982); Não Adormeça (Don’t go to sleep, 1982).
 
 
Aventuras inesquecíveis
 
Aventuras inesquecíveis: A lenda (1985); Quando as metralhadoras cospem (pela Sessão da Tarde, 1976); Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984); Gotcha (1985); A lenda de Billie Jean (1985); Tudo por uma esmeralda (1984).
 
 
Comédias Impagáveis dos Anos 80
 
Comédias impagáveis e sem apelação: Cegos, Surdos e Loucos (1989); Apertem o cinto, o piloto sumiu (1980); Corra que a polícia vem aí (1988); Férias Frustradas (1983).
 
 
Curtindo a vida adoidado (1986)
 
Curtindo a vida adoidado (1986): Esse filme marcou a geração oitentinha. Quem não se empolgou ao som de Twist and Shout, cantada pelo enlouquecido Ferris Bueller?????
 
Filmes com Os Trapalhões
 
Os Trapalhões: Eles aprontavam todas no programa de TV, mas o que eu adorava mesmo era assistí-los nas telonas. Os filmes mais originais e brasileiríssimos que já foram feitos por aqui. Saudades.
 
 
Chico Anysio Show
 
Chico Anysio Show: Programa exibido na Rede Globo de 04/03/1982 a 02/08/1990. Um dos personagens que eu mais gostava era do pastor Tim Tones e do Pai-de-Santo Painho. Chico era e sempre será um gênio do humor.
 
Armação Ilimitada
 
Armação Ilimitada: foi um seriado brasileiro, voltado para o público adolescente da Rede Globo, exibido às sextas-feira, entre 1985 e 1988.
 
Anos 90:
 
Desenhos animados dos Anos 90
 
 Não se comparam aos desenhos dos anos 80, mas alguns eram especiais, como Cavalo de Fogo, Duck Tales, Coragem-o cão covarde, O fantástico mundo de Bobby, Os Simpsons, X-Man.
 
Doug Funny
 
Doug Funny: Série americana exibida de 1991 a 1995, inicialmente, na TV Cultura e, posteriormente, no SBT e Band. Milhares de crianças pelo mundo colocaram o nome de seus cachorrinhos de Costelinha, graças ao desenho. Eu fui uma delas. Hehe.
 
 

 O Mundo de Beakman

 O Mundo de Beakman: O melhor programa educativo de todos os tempos, na minha opinião. Muito popular por tornar a ciência divertida, a série foi transmitida no Brasil pela TV Cultura, entre 1994 e 2002, com uma breve passagem pela Rede Record, no programa Agente G em 1997. Eu não perdia um episódio. Quem nunca sonhou em ter, na escola, um professor como o Beakman??

South Park

South Park: criada por Trey Parker e Matt Stone. Destinado ao público adulto, o programa tornou-se infame por seu humor negro, cruel, surreal e satírico que abrange uma série de assuntos. A narrativa padrão gira em torno de quatro crianças— Stan Marsh, Kyle broflovski, Eric Cartman eKenny McCormick—e suas aventuras bizarras na cidade-título do programa. Foi exibido no Brasil, pela 1ª vez, em 1998, pelo Multishow e, mais tarde, pela MTV.

Os Pequeninos

Os Pequeninos: Série exibida pela TV Cultura. Adaptada do livro de Mary Norton. Uma família de quatro pessoas minúsculas vive das sobras dos “gigantes” que moram em uma velha mansão, o casal Joe e Victoria Lender (Aden Gillett e Doon Mackichan), e seu filho Peter (Bradley Pierce).

 

O mundo da Lua

O mundo da Lua:  Toda vez que a sua família o contrariava, Lucas ia para o seu quarto e começava a viagem “Alô..alô…Aqui é  Lucas Silva e Silva, falando diretamente do mundo da lua…” TV Cultura.

Publicado por: Amanda Paz | 20 de março de 2011

“A leitura do mundo precede à das palavras”. (Paulo Freire)

As sábias palavras de Paulo Freire ¹ fizeram-me lembrar da primeira vez em que refleti sobre como a linguagem e a comunicação vai além da escrita e da fala. Ler é muito mais que decifrar códigos.  Uma prova incontestável disso é o fato de crianças muito pequenas conseguirem compreender mensagens, ou associar palavras a objetos ou a situações, quando ainda mal sabem falar.

 Meu sobrinho Gabriel (hoje rapazinho) tinha não mais que um aninho de idade e mal sabia falar (quanto mais ler), mas sempre que passávamos, de carro, por certa avenida de São Paulo (onde morávamos então),ele ficava enlouquecido ao avistar o famoso M amarelo faíscante do McDonalds em um “outdoor”. Agitava as mãozinhas – os olhinhos brilhando –  apontando para a placa convidativa e balbuciava “mec…lanche…sovet”.

Ele não precisava saber decifrar as palavras do anúncio para entender sobre o que se tratava. Ele simplesmente associava as imagens familiares da placa a um contexto também já conhecido. A mensagem atingia seu objetivo. E como. Se não parássemos no shopping mais próximo para comprar o tal lanche, o garoto não nos dava sossego.

E ninguém melhor do que o mercado publicitário consegue se apropriar de forma tão eficiente deste tipo de linguagem não é mesmo? e falando no assunto, me deu uma sedinha agora…acho que vou abrir uma:

O que é engaçado é que, à medida que crescemos, vamos deixando de lado essa capacidade de realizar leituras através da contextualização, isto é, através da busca de pistas que nos ajudam a compreender uma determinada mensagem. Será preguiça ou será que a escola e os pais têm uma parcela de culpa nessa história, quando privilegiam um método de leitura e escrita em detrimento de outros? 

Seja em casa ou na escola, devemos criar um ambiente sempre propício à aprendizagem autônoma de nossas crianças. Precisamos oferecer a elas uma grande diversidade de material e estar sempre estimulando sua criatividade. E por que não nos dispor a aprender com elas? Podemos começar, reaprendendo a “ler” o mundo que nos rodeia, sem receio de fazer suposições descabidas, como no singelo poema aí em baixo.

 

¹Paulo Freire:  quem foi?

Paulo Reglus Neves Freire (Recife, 19 de setembro de 1921 — São Paulo, 2 de maio de 1997) foi um educadore filósofo brasileiro. Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. Autor de “Pedagogia do Oprimido”, um método de alfabetização dialético, se diferenciou do “vanguardismo” dos intelectuais de esquerda tradicionais e sempre defendeu o diálogo com as pessoas simples, não só como método, mas como um modo de ser realmente democrático. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica. (Fonte: Wikipédia)

Até o próximo post!

Publicado por: Amanda Paz | 18 de abril de 2010

Que gripe suína que nada, a Febre é de Alice

 

Pode até ser jogada de marketing – afinal em breve estreará nas telonas uma nova versão de filme baseado nas fantásticas e mirabolantes aventuras da menina curiosa criada por Lewis Carroll e que, por sinal, promete ser uma das melhores já produzidas por Hollywood – mas para aqueles que, como eu, simplesmente são apaixonados por Alice, a febre que vem tomando conta do país nos últimos meses é pra lá de bem-vinda. 

 

Abaixo, uma lista dos eventos (para os baixinhos e os que já não são mais) que acontecem em São Paulo inspirados nos personagens da encantadora estória: 

*01 a 30/04 – Otto Bistrot (São Paulo: Cardápio inspirado em Alice)
http://vejasp.abril.com.br/eventos/otto-bistrot-recebe-alice 

 *05/03 a 05/05 – Mostra Coisas de Alice (são Paulo: exposição)
http://vejasp.abril.com.br/exposicoes/coisas-da-alice 

 *10 a 25/04 – Contação de estórias na Livraria Cultura (São Paulo, vários endereços)
http://vejasp.abril.com.br/eventos/alice-no-pais-das-maravilhas-em-cordel 

 * 1 a 24/04 – Alicinações (Exposição de obras de arte de Adriana Peliano) 

 http://vejasp.abril.com.br/exposicoes/alicinacoes-de-adriana-peliano  

 *23/04 – Estreia prevista do filme (todo o país) 

Cena do filme dirigido por Tim Burton

 

 Outras Informações: 

Ficha Técnica do filme (versão de Tim Burton a estrear): 

Título original:  Alice in Wonderland  

Gêneros:   Aventura, Família, Fantasia   

Site oficial:  http://adisney.go.com/disneypictures/aliceinwonderland/   

Ano:  2010  

Direção: Tim Burton   

Roteiro: Lewis Carroll  

 Elenco:  

Mia Wasikowska (Alice Kingsley)  

Johnny Depp ( The Mad Hatter)  

Anne Hathaway ( The White Queen)  

Michael Sheen ( The White Rabbit)  

Helena Bonham Carter (The Red Queen)  

Alan Rickman ( The Caterpillar)  

Christopher Lee ( The Jabberwock)  

Stephen Fry (The Cheshire Cat)  

Crispin Glover (The Knave of Hearts)  

Timothy Spall ( The Bloodhound)  

Cartaz do filme Alice no País das Maravilhas

 

O livro 

 

  

 

 

 ALice no País das Maravilhas (1998), Lewis Carroll 

 

LEWIS CARROLL E SUA OBRA

Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido como Lewis Carroll, nasceu em Inglaterra em 1832, foi matemático, lógico, fotógrafo e romancista sendo reconhecido como tal após o seu sucesso com “Alice no País das Maravilhas”, faleceu em 1898.

 

A história de Alice no País das Maravilhas se originou em1862, quando Carroll fazia um passeio de barco no rio Tâmisa com sua amiga Alice Pleasance Liddell (com 10 anos na época) e suas duas irmãs, sendo as três filhas do reitor da Christ Church. Lá ele começou a contar uma história que deu origem à atual, sobre uma garota chamada Alice que ia parar em um mundo fantástico após cair em uma toca de um coelho. A Alice da vida real gostou tanto da estória que pediu que Carroll a escrevesse. 

Alice Liddell e Lewis Carroll

 

Enigmas:  

 

Alice no país da maravilhas contém inúmeros problemas de matemática, a personagem Alice entra em uma toca atrás de um coelho falante e cai em um mundo fantástico e fantasioso. Muitos enigmas contidos em suas obras são quase que imperceptíveis para os leitores atuais, principalmente os não-anglófonos, pois continham referências da época, piadas locais e trocadilhos que só fazem sentido na língua inglesa. 

 Polêmica:
 
 Muitos historiadores insistem em associar Carroll à pedofilia. Nada se comprova definitivamente, mas as dúvidas permanecem no ar há mais de um século. Uma de suas frases mais marcantes era “Gosto de crianças (exceto meninos)”.
Leia mais a respeito em http://canetapontafina.blogspot.com/2008/02/lewis-carrol-e-sua-suposta-pedofilia.html

A Lógica de Carroll: 

 Um dos traços característicos da lógica de Charles Dodgson é o poder de forçar as leis da lógica, explorar os limites da linguagem simbólica, mostrar os limites das formulações, no fundo, revelar o nonsense que pode estar escondido sob a aparência da correcção formal.

 

Exemplo: 

  

Trios de proposições  propostas como silogismos * :   

1. Os Dicionários são úteis; Livros úteis são valiosos. Os Dicionários são valiosos.  

   Esta dedução está certa!  

2. O açúcar é doce; O sal não é doce. O sal não é açúcar.  

   Esta dedução está incompleta! Está omitido o facto do açúcar não ser sal. 
 

  

  

   Esta dedução está errada! A certa seria: Algumas criaturas ferozes não bebem café. 

3. Alguns leões são ferozes; Alguns leões não bebem café. Algumas criaturas que bebem café não são ferozes.    

 *Silogismo: Argumentação lógica constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que, a partir das primeiras duas – chamadas premissas – é possível deduzir uma conclusão. A teoria do silogismo foi exposta por Aristóteles em Analíticos Anteriores. (Fonte: Wikipédia). 

 

 Leia Alice no País das Maravilhas emformato pdf: http://www.dquixote.pt/pdf/alicenopaisdasmaravilhas.pdf 

Publicado por: Amanda Paz | 3 de fevereiro de 2010

Dica de Livro

Infância, de Graciliano Ramos

Capa do livro Infância, de Graciliano Ramos

 

Sobre o livro:

Obra autobiográfica em que o autor consegue, de forma magistral, relatar momentos significativos de sua infância: as primeiras letras, os medos infantis, impressões sobre o mundo, pequenas travessuras, dramas familiares etc.

De fácil leitura, a todo o momento temos a nítida impressão de estarmos dentro da cabecinha de uma criança, vivenciando com ela todas as suas experiências, sentimentos e emoções.

Ótima oportunidade para quem já esqueceu das “dores e das delícias” de ser criança.

Aí estão algumas passagens do livro:

     Onde estava o cinturão? Impossível responder (…) tão apavorado me achava. Situações deste gênero constituíram as maiores torturas da minha infância, e as conseqüências delas me acompanharam.

     O homem não me perguntava se eu tinha guardado a miserável correia: ordenava que a entregasse imediatamente. Os seus gritos me entravam na cabeça (…).

     Onde estava o cinturão? Hoje não posso ouvir uma pessoa falar alto. O coração bate-me forte, desanima, como se fosse parar, a voz emperra, a vista escurece, uma cólera doida agita coisas adormecidas cá dentro.

     Onde estava o cinturão? A pergunta repisada ficou-me na lembrança: parece que foi pregada a martelo (…).

____§____

     Mandavam-me rabiscar algumas linhas pela manhã. Logo no início desse terrível dever, o pior de todos, surgiu uma novidade que me levou a desconfiar da instrução de Alagoas: no interior de Pernambuco havia 1899 depois dos nomes da terra e do mês; escrevíamos agora 1900, e isto me embrulhou o espírito. Faltou-me a explicação necessária (…). Com certeza não foi essa reflexão que me endureceu a munheca e povoou de borrões o traseiro, mas pode ter tido influência (…).

 ___§____

     Meu pai não tinha vocação para o ensino, mas quis meter-me o alfabeto na cabeça. Resisti, ele teimou – e o resultado foi um desastre. Cedo revelou impaciência e assustou-me. (…)

     Enfim consegui familiarizar-me com as letras quase todas. Aí me exibiram outras vinte e cinco, diferentes das primeiras e com os mesmos nomes delas (…). Veio o terceiro alfabeto, veio o quarto, e a confusão estabeleceu-se, um horror de qüiproquós. Quatro sinais com uma só denominação. Se me habituassem às maiúsculas, deixando as minúsculas para mais tarde, talvez não me embrutecesse.

 ____§____

Sobre o autor:

Graciliano Ramos de Oliveira (Quebrangulo, 27 de outubro de 1892 — Rio de Janeiro, 2o de março de 1953) foi um romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX ,autor de Vidas Secas.

Leia mais em: http://www.vidaslusofonas.pt/graciliano_ramos.htm

Graciliano Ramos

Outras obras do autor: 

  • Caetés (1933) (ganhador do premio Brasil de literatura);
  • São Bernardo (1934);
  • Angústia (1936);
  • Vidas Secas (1938);
  • A Terra dos Meninos Pelados (1939);
  • Brandão Entre o Mar e o Amor (1942);
  • Histórias de Alexandre (1944);
  • Infância (1945);
  • Histórias Incompletas (1946);
  • Insônia (1947);
  • Memórias do Cárcere, póstuma (1953);
  • Viagem, póstuma (1954);
  • Linhas Tortas, póstuma (1962);
  • Viventes das Alagoas, póstuma (1962);
  • Alexandre e outros Heróis, póstuma (1962);
  • Cartas, póstuma (1980);
  • O Estribo de Prata, póstuma (1984);
  • Cartas à Heloísa, póstuma (1992);
  • Um Cinturão (2000).
Publicado por: Amanda Paz | 31 de janeiro de 2010

Um conto de presente….

Já pensou em dar um presente especial a uma criança hoje? conte-lhe uma história. Um presente para toda vida e que, quanto mais dividido, mais dura, mais permanece.

Ilustração de Gustave Dorè

Conto: As fadas, de Charles Perrault

Era uma vez uma viúva que tinha duas filhas. A mais velha se parecia tanto com ela, no humor e de rosto, que quem a via, enxergava a própria mãe. Mãe e filha eram tão desagradáveis e orgulhosas que ninguém as suportava. A filha mais nova, que era o retrato do pai, pela doçura e pela educação, era, ainda por cima, a mais linda moça que já se viu.

Como queremos bem, naturalmente, a quem se parece conosco, essa mãe era louca pela filha mais velha. E tinha, ao mesmo tempo, uma tremenda antipatia pela mais nova, que comia na cozinha e trabalhava sem parar como se fosse uma criada. Tinha a pobrezinha, entre outras coisas, de ir, duas vezes por dia, buscar água a meia légua de casa, com uma enorme moringa, que voltava cheia e pesada.

Um dia, nessa fonte, lhe apareceu uma pobre velhinha, pedindo água:

– Pois não, boa senhora – disse a linda moça.

E, enxaguando a moringa, tirou água da mais bela parte da fonte, dando-lhe de beber com as próprias mãos, para auxiliá-la. A boa velhinha bebeu e disse:
– Você é tão bonita, tão boa, tão educada, que não posso deixar de lhe dar um dom .

Na verdade, essa mulher era uma fada, que tinha tomado a forma de uma pobre camponesa para ver até onde ia a educação daquela jovem.

As fadas- Ilustração de Gustave Dorè

– A cada palavra que falar – continuou a fada -, de sua boca sairão uma flor ou uma pedra preciosa.

Quando a linda moça chegou a casa, a mãe reclamou da demora.

– Peço-lhe perdão, minha mãe – disse a pobrezinha -, por ter demorado tanto.

E, dizendo essas palavras, saíram-lhe da boca duas rosas, duas pérolas e dois enormes diamantes.

– O que é isso? – disse a mãe espantada -, acho que estou vendo pérolas e diamantes saindo da sua boca. De onde é que vem isso, filha?

 Era a primeira vez que a chamava de filha. A pobre menina contou-lhe honestamente tudo o que tinha acontecido, não sem pôr para fora uma infinidade de diamantes.
– Nossa! – disse a mãe -, tenho de mandar minha filha até a fonte.
– Filha, venha cá, venha ver o que está saindo da boca de sua irmã quando ela fala; quer ter o mesmo dom? Pois basta ir à fonte, e, quando uma pobre mulher lhe pedir água, atenda-a educadamente.
– Só me faltava essa! – respondeu a mal-educada- Ter de ir até a fonte!
– Estou mandando que você vá – retrucou a mãe -, e já.

Ela foi, mas reclamando. Levou o mais bonito jarro de prata da casa. Mal chegou à fonte, viu sair do bosque uma dama magnificamente vestida, que veio lhe pedir água. Era a mesma fada que tinha aparecido para a irmã, mas que surgia agora disfarçada de princesa, para ver até onde ia a educação daquela moça.
– Será que foi para lhe dar de beber que eu vim aqui? – disse a grosseira e orgulhosa. – Se foi, tenho até um jarro de prata para a madame! Tome, beba no jarro, se quiser.
– Você é muito mal-educada – disse a fada, sem ficar brava.
– Pois muito bem! Já que é tão pouco cortês, seu dom será o de soltar pela boca, a cada palavra que disser, uma cobra ou um sapo.

Quando a mãe a viu chegar, logo lhe disse:

– E então, filha?
– Então, mãe! – respondeu a mal-educada, soltando pela boca duas cobras e dois sapos.
– Meu Deus! – gritou a mãe -, o que é isso? A culpa é da sua irmã, ela me paga.

 E imediatamente ela foi atrás da mais nova para espancá-la. A pobrezinha fugiu e foi se esconder na floresta mais próxima. O filho do rei, que estava voltando da caça, encontrou-a e, vendo como era linda, perguntou-lhe o que fazia ali tão sozinha e por que estava chorando.

– Ai de mim, senhor, foi minha mãe que me expulsou de casa.

O filho do rei, vendo sair de sua boca cinco ou seis pérolas e outros tantos diamantes, pediu-lhe que lhe dissesse de onde vinha aquilo.
Ela lhe contou toda a sua aventura. O filho do rei apaixonou-se por ela e, considerando que tal dom valia mais do que qualquer dote, levou-a ao palácio do rei, seu pai, onde se casou com ela.

Quanto à irmã, a mãe ficou tão irada contra ela que a expulsou de casa. E a infeliz, depois de muito andar sem encontrar ninguém que a abrigasse, acabou morrendo num canto do bosque.

Charles Perrault

Quem foi Charles Perrault?

Charles Perrault (Paris, 12 de janeiro de 1628 a 16 de maio de 1703 – foi um escritor e poeta francês do século XVII, que estabeleceu bases para um novo gênero literário – o conto de fadas – além de ter sido o primeiro a dar acabamento literário a esse tipo de literatura, feito que lhe conferiu o título de Pai da Literatura Infantil.

 Suas histórias mais conhecidas são Le Petit Chaperon rouge (Chapeuzinho Vermelho), La Belle au bois dormant (A Bela Adormecida), Le Maître chat ou le Chat botté (O Gato de Botas), Cendrillon ou la petite pantoufle de verre (Cinderella), La Barbe bleue (Barba Azul) e Le Petit Poucet (O Pequeno Polegar).

 Contemporâneo de Jean de La Fontaine, Perrault também foi advogado e exerceu algumas atividades como superintendente do Rei Luís XIV, de França. A maioria de suas histórias ainda hoje são editadas, traduzidas e distribuídas em diversos meios de comunicação, e adaptadas para várias formas de expressões, como o teatro, o cinema e a televisão, tanto em formato de animação como de ação viva

(Fonte: Wikipédia- http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Perrault)

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