Publicado por: Amanda Paz | 21 de novembro de 2009

***Contos de Fadas ***(Continuação)

Os contos de fadas sempre tiveram grande importância na minha vida. Foi através deles que fui iniciada no mundo maravilhoso das letras. Em minha memória, essas histórias encantadas estão associadas sempre a gostosas sensações.

Quando resgato momentos felizes da minha infância, não é raro ver o carpete verde com almofadinhas azuis da biblioteca infantil da minha velha escola; suas estantes baixinhas, com prateleiras repletas de livros. Cada um deles, uma porta mágica para mundos fantásticos. Ali passava horas e horas, depois das aulas, esperando mamãe – que era minha professora e também bibliotecária – terminar o expediente e me levar para casa.

Meus contos favoritos sempre foram os dos irmãos Grimm e Hans Christian Andersen. Ah! Como eu queria poder emprestar um cobertorzinho para “a pequena vendedora de fósforos” se aquecer e, assim, evitar aquele final tão triste, que sempre me deixava apertado o coração. Que admirável a coragem de Gerda, enfrentando tantos perigos para salvar seu amigo Pedro das garras da Rainha das neves. Será que eu, no lugar dela, conseguiria? E que tentação, para João e Maria, aquela casa toda feita de doces bem no meio da floresta. Quem resistiria?

A rainha das neves - Conto infantil de Andersen

Conto infantil- irmãos Grimm

A pequena vendedora de fósforos- Conto de Andersen

Nas férias do final de ano, o tapete e as almofadas da biblioteca eram substituídos por uma rede ou uma cadeira de balanço no alpendre da casa dos meus avós. As histórias também eram outras, igualmente fantásticas. Invencionices de um velho bobo e doce, para encantar e fazer brilhar os olhinhos dos seus netos queridos. As princesas e fadas eram agora iaras; as bruxas, duendes e dragões eram agora os sacis, os curupiras, as matintas-pereiras. Ai! Quanto medo de cruviana. Que pavor de visagem…

Saci Pererê- folclore nacional

Durante a semana santa, minha avó – muito católica – tornava-se ardilosa. E que deliciosos artifícios aqueles empregados por ela para nos fazer ficar quietinhos: suas histórias de terror enregelavam-nos o sangue e nos faziam suar a bicas sob as cobertas, na cama, a fim de evitar que o “bicho folharal” ou o “mão-branca” surgissem de sob o assoalho do quarto e nos puxassem pelos pés para sabe lá que mundos.

Bicho Folharal- lenda amazônica

Acredito que venha daí essa minha mania de ter sempre um livro à mão ou estar sempre a inventar histórias, escrevê-las por aí, contá-las a quem se dispuser a ouvi-las. Acaba sendo uma forma de matar as saudades de quando eu tinha 8 anos e a fantasia ainda era uma atividade recorrente em minha vida. Quando ainda me era permitido acreditar em Papai Noel ou em potes de ouro escondidos no final do arco-íris sem ser reprimida ou censurada pelos adultos “sérios”.


Ah! As fantasias pueris.

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Responses

  1. Amanda, que delícia ler esse texto. Me lembrei de quando no sertão nos sentávamos a luz do luar para ouvir os “causos”. E depois eu ia dormir rezando para meu anjo da guarda me proteger das visagens.

  2. Oi amiga. Que bom receber sua visita. Como sempre nos identificamos através das palavras. Aposto que sua infância foi tão significativa quanto a minha e a de tantas pessoas, que, na simplicidade conseguiram experimentar a magia de ser criança. Espero sua visita sempre!!!!!

  3. Que Post Fantástico!
    Amiga AMANDA PAZ:
    Com uma narrativa impecável, encontramos em cada parágrafo de seu encantado Conto, a preciosidade da leveza de seu espírito que, hoje, mesmo adulta, fica patente o quanto você foi presenteada com o carinho e amor de seus pais amados.
    Parabenizo-a fervorosamente por mais um texto magistral!
    Valeu a pena conferir!
    Ótimo Post!
    Abraços,
    LISON.

    • Olá meu querido amigo Lison,

      Eu sabia que um espírito terno como o teu iria apreciar esse post. Felizes daqueles que mantém viva a magia dentro de si. Esses nunca desistirão de ir em busca de seus sonhos.

      Grata pelas gentis palavras.
      Um grande abraço da sua amiga que muito lhe admira.


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