Publicado por: Amanda Paz | 3 de fevereiro de 2010

Dica de Livro

Infância, de Graciliano Ramos

Capa do livro Infância, de Graciliano Ramos

 

Sobre o livro:

Obra autobiográfica em que o autor consegue, de forma magistral, relatar momentos significativos de sua infância: as primeiras letras, os medos infantis, impressões sobre o mundo, pequenas travessuras, dramas familiares etc.

De fácil leitura, a todo o momento temos a nítida impressão de estarmos dentro da cabecinha de uma criança, vivenciando com ela todas as suas experiências, sentimentos e emoções.

Ótima oportunidade para quem já esqueceu das “dores e das delícias” de ser criança.

Aí estão algumas passagens do livro:

     Onde estava o cinturão? Impossível responder (…) tão apavorado me achava. Situações deste gênero constituíram as maiores torturas da minha infância, e as conseqüências delas me acompanharam.

     O homem não me perguntava se eu tinha guardado a miserável correia: ordenava que a entregasse imediatamente. Os seus gritos me entravam na cabeça (…).

     Onde estava o cinturão? Hoje não posso ouvir uma pessoa falar alto. O coração bate-me forte, desanima, como se fosse parar, a voz emperra, a vista escurece, uma cólera doida agita coisas adormecidas cá dentro.

     Onde estava o cinturão? A pergunta repisada ficou-me na lembrança: parece que foi pregada a martelo (…).

____§____

     Mandavam-me rabiscar algumas linhas pela manhã. Logo no início desse terrível dever, o pior de todos, surgiu uma novidade que me levou a desconfiar da instrução de Alagoas: no interior de Pernambuco havia 1899 depois dos nomes da terra e do mês; escrevíamos agora 1900, e isto me embrulhou o espírito. Faltou-me a explicação necessária (…). Com certeza não foi essa reflexão que me endureceu a munheca e povoou de borrões o traseiro, mas pode ter tido influência (…).

 ___§____

     Meu pai não tinha vocação para o ensino, mas quis meter-me o alfabeto na cabeça. Resisti, ele teimou – e o resultado foi um desastre. Cedo revelou impaciência e assustou-me. (…)

     Enfim consegui familiarizar-me com as letras quase todas. Aí me exibiram outras vinte e cinco, diferentes das primeiras e com os mesmos nomes delas (…). Veio o terceiro alfabeto, veio o quarto, e a confusão estabeleceu-se, um horror de qüiproquós. Quatro sinais com uma só denominação. Se me habituassem às maiúsculas, deixando as minúsculas para mais tarde, talvez não me embrutecesse.

 ____§____

Sobre o autor:

Graciliano Ramos de Oliveira (Quebrangulo, 27 de outubro de 1892 — Rio de Janeiro, 2o de março de 1953) foi um romancista, cronista, contista, jornalista, político e memorialista brasileiro do século XX ,autor de Vidas Secas.

Leia mais em: http://www.vidaslusofonas.pt/graciliano_ramos.htm

Graciliano Ramos

Outras obras do autor: 

  • Caetés (1933) (ganhador do premio Brasil de literatura);
  • São Bernardo (1934);
  • Angústia (1936);
  • Vidas Secas (1938);
  • A Terra dos Meninos Pelados (1939);
  • Brandão Entre o Mar e o Amor (1942);
  • Histórias de Alexandre (1944);
  • Infância (1945);
  • Histórias Incompletas (1946);
  • Insônia (1947);
  • Memórias do Cárcere, póstuma (1953);
  • Viagem, póstuma (1954);
  • Linhas Tortas, póstuma (1962);
  • Viventes das Alagoas, póstuma (1962);
  • Alexandre e outros Heróis, póstuma (1962);
  • Cartas, póstuma (1980);
  • O Estribo de Prata, póstuma (1984);
  • Cartas à Heloísa, póstuma (1992);
  • Um Cinturão (2000).
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Responses

  1. […] Quer ver a postagem completa acesse:Quando eu tinha 8 anos. […]

  2. olá.
    Seu blog caiu na TEIA.
    Parabéns.
    Até mais.

  3. Muito bom o livro do Graciliano!

    Parabéns

    http://6boyslife.blogspot.com/
    vai lá 😛

  4. Parabéns, otima dica

  5. Olá amiga do CEDERJ! Também sou blogueira e adorei seu espaço. Voltarei sempre

    • Ola Jenny. Que felicidade receber sua visita. Que bom que gostou. Espero que volte sempre. Preciso atualizar meu blog, mas como você sabe, é época de provas no Cederj né? aí eu acabo dando uma negligenciada por aqui. Em breve haverá novos posts. Apareça sempre viu?
      P.S.: respondi ao seu comentário também na sala de tutoria de Literatura, lá na plataforma.
      Abraços e bons estudos!


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